A polêmica acerca da compra dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro no triênio 2012-2014 ainda não acabou, e pelo jeito, está longe do fim. Para quem ainda não entendeu o que está acontecendo, segue uma explicação mais concisa da situação.
O Clube dos 13 é uma entidade esportiva (presidida por Fabio Koff desde 1995) que representa as 20 principais agremiações do futebol brasileiro, defendendo seus interesses políticos e comerciais no que diz respeito a qualquer tipo de negociação dos direitos de transmissão de campeonatos, entre eles o Brasileiro.
Até hoje, a Rede Globo de Televisão era soberana na compra desses direitos, e tinha exclusividade na transmissão. Entretanto, esse ano Koff decidiu seguir a orientação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e abrir a licitação para a compra dos direitos de transmissão a todas as emissoras, possibilitando, assim, uma decisão mais democrática. Foi o estopim para a guerra começar.
A Rede Globo se opôs vorazmente, e anunciou que estava fora das negociações. Mas que isso não significava não brigar pelos direitos de transmissão, pois decidira negociar “por fora”, diretamente com os clubes que também se opusessem a essa decisão. Estava consolidado o racha no C13. Os clubes interessados em debandar da entidade foram Grêmio, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo, todos encabeçados pelo Corinthians, cujo rompimento já foi oficializado. O clube paulista já anunciou que negocia separadamente com a Rede Globo, e que pode, assim, ganhar percentuais ainda maiores do que os que foram oferecidos (a atual licitação gira em torno de R$ 500 milhões, porém por fora a Globo tem oferecido algo em torno de R$ 4 bilhões ou até mais).
Já foi solicitado que o Cade entre na discussão, mas o órgão alega não poder fazer muita coisa, já que se trata de uma polêmica que parece não ter fim. Pelas normas do contrato, as emissoras não podem procurar os clubes para negociar (isso só ocorre através do Clube dos 13), mas nesse caso, os próprios clubes estão procurando a emissora, ou seja, estão dispensando a representação da entidade. Isso tornaria válida qualquer negociação.
Diante dessa situação, precisamos enxergar e analisar alguns pontos importantes. O principal deles é que caso as negociações aconteçam separadamente, uma emissora só poderá transmitir os jogos dos clubes com ela acordados, e perderia a chance de transmitir alguns clássicos importantes do futebol - por exemplo, o clássico São Paulo x Corinthians. O tricolor permanece no Clube dos 13, mas o time alvinegro negocia por fora com a Rede Globo. Quem transmitiria esse jogo? A emissora vencedora da licitação, no caso de o mando ser do São Paulo? Ou a Globo, caso o mando seja do Corinthians? Na pior das hipóteses, nenhuma das duas o faria, e o prejuízo seria principalmente dos torcedores que não podem ou não vão aos estádios.
Uma das grandes dúvidas que ficam no ar é porque a Rede Globo tem tanto pavor da concorrência das outras emissoras. Se ela confiasse fortemente no seu trabalho de cobertura (como diz por aí, ao alegar que possui a melhor equipe de transmissão), estaria tranqüila em concorrer democraticamente pelos direitos de transmissão. Dinheiro também não é problema, pois se está oferecendo algo em torno de R$ 4 bilhões aos times dissidentes, pode, tranquilamente, apresentar a melhor oferta financeira. Qual é o problema então?
E os clubes que romperam com o Clube dos 13, por que esse desejo explícito de ter seus jogos transmitidos apenas pela Globo? Afinal, eles são clubes que lutam pelos direitos dos seus torcedores ou empresas que visam apenas o lucro? Diante de tudo isso, o que me parece mais óbvio é a segunda opção.
E é exatamente nesse ponto que quem conhece pelo menos um pouco do assunto, enxerga nitidamente o que chamamos de interesses políticos. Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, tem relações estreitadas de longa data com Ricardo Teixeira, o manda-chuva da CBF. Está plantando hoje as sementes que vai colher na Copa de 2014 – será o chefe da delegação brasileira e foi beneficiado com a promessa de um estádio para abrigar a abertura dos jogos. Não precisamos nem discutir porque Sanchez rompeu com o C13 a favor da Rede Globo, aliada de Ricardo Teixeira. Precisamos?
E os outros clubes, por que não aceitam uma licitação democrática? Obviamente porque os valores oferecidos pela Globo fazem brilhar os olhos de qualquer dirigente de futebol e comprova, satisfatoriamente, a minha posição de que os clubes brasileiros agem hoje exclusivamente como empresas onde o único objetivo é o lucro irracional.
Uma pena, pois nós, torcedores, sairemos perdendo. E muito.
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